António Félix da Costa assume liderança na Fórmula E após reviravolta na carreira
Há apenas dez meses, António Félix da Costa, piloto português, enfrentava uma situação muito diferente na Fórmula E. Após as três primeiras corridas da temporada de 2024, ele não havia pontuado, demonstrando falta de ritmo em comparação com seu companheiro de equipe, Pascal Wehrlein, que já havia conquistado uma vitória e outros dois resultados positivos. A situação era tão preocupante que a Porsche chegou a considerar a substituição de Da Costa por Nico Muller, piloto da Abt.
Entretanto, Da Costa conseguiu reverter o cenário, mostrando a mesma performance que o consagrou campeão na temporada 2019-20. Na segunda metade do ano, ele conquistou quatro vitórias em cinco corridas, demonstrando uma grande recuperação.
Na atual temporada 2024-25, o piloto manteve a boa forma, com dois segundos lugares consecutivos em São Paulo e na Cidade do México. Com esses resultados, Da Costa lidera o campeonato de pilotos pela primeira vez desde sua temporada vitoriosa. A Porsche, com o melhor carro do grid no momento, dá a ele a possibilidade de conquistar um segundo título.
Disputa interna na Porsche
Para alcançar tal feito, Da Costa terá que superar Wehrlein, seu companheiro de equipe, algo que não conseguiu nas duas temporadas anteriores. Nesse período, o papel de Da Costa parecia ser o de apoiar o colega mais jovem, como ficou claro na corrida na Cidade do México, onde chegou a proteger a liderança de Wehrlein. Apesar disso, Da Costa conseguiu se recuperar e assumir a liderança da prova, antes de um safety car oportunista dar a vitória para Oliver Rowland, da Nissan.
Após a corrida, Da Costa revelou que a comunicação via rádio era focada em controlar os pilotos com o modo de ataque restante. A proximidade entre os dois pilotos sugere que a ordem poderia ter permanecido a mesma, sem o safety car (a não ser por alguma ordem de equipe). A relação entre Da Costa e Wehrlein é diferente daquela que o piloto teve com Jean-Eric Vergne quando dividiram a equipe DS Techeetah, e a disputa acirrada com seu companheiro pode vir a ocorrer.
A Porsche terá que decidir se irá apoiar um de seus pilotos desde o início da temporada ou se permitirá que eles disputem abertamente. Wehrlein pode ser visto como o favorito devido à sua nacionalidade alemã e por ter dado a primeira vitória da Porsche na Fórmula E na Cidade do México em 2021, além de ser o atual campeão. Contudo, a equipe não pode esquecer que procurou ativamente um substituto para Da Costa há menos de um ano, o que pode trazer incertezas para as disputas internas. A experiência da Jaguar, que perdeu o título de pilotos ao permitir que seus pilotos, Mitch Evans e Nick Cassidy, competissem livremente, também deve ser um fator a ser considerado.
Com 14 corridas restantes, muitos acontecimentos podem mudar o rumo do campeonato, mas Da Costa, em grande forma, é um concorrente a ser temido. Sua resiliência e capacidade de superação podem levá-lo a conquistar um segundo título na etapa final em Londres, em julho.